Nvidia nega corte no fornecimento de GeForce: o que está por trás do rumor de redução de 15%–20% e por que a “crise da memória” importa em 2026
Um boato voltou a assombrar o mercado de placas de vídeo: a Nvidia estaria reduzindo em até 20% o fornecimento de GPUs GeForce para parceiros, por causa de escassez de DRAM impulsionada por data centers de IA. A empresa contesta a história e diz que continua enviando todos os modelos. Mas, mesmo com o “não” oficial, há sinais claros de um gargalo real: memória virou o novo petróleo do hardware, e isso bagunça preço, estoque e até as configurações das placas.
O rumor: “corte de 15%–20%” no fornecimento para parceiros
A especulação ganhou tração a partir de posts de leakers e foi amplificada por sites de hardware: a tese é que a Nvidia teria diminuído a quantidade de GPUs (e/ou kits GPU+memória) enviados aos parceiros fabricantes (AICs), em uma redução estimada entre 15% e 20%.
Esse tipo de rumor é “perigoso” porque mexe com as expectativas do varejo na hora: revendedor segura estoque, fabricante ajusta pedidos, consumidor corre para comprar antes de “sumir” — e pronto, você tem um mini-pânico que pode virar profecia autorrealizável.

A resposta oficial: “continuamos enviando todas as GeForce”
O ponto mais importante aqui é simples: quando questionada, a Nvidia negou a leitura de “corte” como uma mudança deliberada de fornecimento e afirmou que segue enviando todas as GeForce. Em declaração atribuída à empresa, a mensagem é que a demanda por GPUs RTX está forte, a disponibilidade de memória está pressionada, mas os SKUs GeForce continuam em envio normal, com trabalho junto a fornecedores para ampliar a oferta de memória.
Isso conversa diretamente com outro episódio recente que ilustra bem o caos do momento: a confusão pública sobre suposta descontinuação (EOL) de modelos específicos por parte de uma fabricante parceira, depois desmentida — e, no meio do caminho, a Nvidia reiterando que continua produzindo e enviando SKUs GeForce.
Por que a memória virou protagonista (e não é só “mais um componente”)
Uma placa de vídeo moderna não é só o chip gráfico. Ela depende de uma cadeia de componentes — e a memória (GDDR) é um dos itens mais críticos, caros e sensíveis a oscilações de oferta. Em tempos normais, isso já é verdade. Em 2026, ficou mais agudo porque o “apetite” de IA por memória (especialmente HBM em aceleradores) está puxando capacidade de fabricação e investimentos para um lado muito específico do mercado.
Em outras palavras: enquanto gamers brigam por VRAM em GPUs de consumo, data centers brigam por memória de altíssima largura de banda em volumes gigantescos. E, quando a indústria decide onde colocar as máquinas e o capex, ela tende a privilegiar o que dá mais margem e contratos de longo prazo.
Os sinais de mercado: preços e contratos estão gritando “aperto”
Mesmo deixando o rumor de lado por alguns minutos, há evidências fortes de pressão generalizada na cadeia de memória. Relatórios de mercado apontam que fornecedores estão realocando processos avançados e capacidade para produtos voltados a servidores e HBM, reduzindo a oferta para segmentos “convencionais” (incluindo PCs e, por tabela, ecossistemas de componentes).
Um dado que chama atenção: a TrendForce projetou aumentos expressivos de preços de contrato no 1º trimestre de 2026, com DRAM convencional subindo na faixa de 55%–60% trimestre contra trimestre, além de altas relevantes em NAND.
E não é só projeção “de planilha”. A Reuters noticiou que a demanda por memória para IA está pressionando a oferta global e forçando movimentos como aceleração de cronogramas de fábricas e produção de HBM, com clientes buscando acordos multi-anuais para garantir fornecimento.
Então… vai faltar GeForce? O jeito certo de interpretar o “não” da Nvidia
A declaração da Nvidia é relevante porque rejeita a ideia de um corte intencional e generalizado de oferta. Ao mesmo tempo, ela admite o ponto que mais dói: “memória está restrita”.
Na prática, isso pode produzir três cenários (que podem coexistir dependendo do país, do parceiro e do modelo):
- Disponibilidade “normal” no papel, mas irregular no varejo: a produção continua, mas lotes chegam menores e em ondas.
- Mix de modelos alterado: alguns SKUs aparecem mais do que outros, conforme o que for viável montar com a memória disponível.
- Preço mais alto sem “falta oficial”: não precisa faltar para ficar caro; basta ficar apertado e imprevisível.
O impacto para quem compra: preço, VRAM e o efeito dominó nos PCs
Para o público gamer e para quem monta PC, o impacto costuma aparecer em três pontos bem concretos: (1) preço das placas, (2) disponibilidade de modelos “queridinhos”, e (3) decisões de configuração que parecem pequenas, mas mudam o custo total do setup.
Quando a memória fica mais cara e mais difícil de garantir, uma resposta comum do mercado é simplificar linhas e empurrar o consumidor para opções com melhor viabilidade de produção. Isso ajuda a explicar por que, em momentos de aperto, certas combinações de VRAM (por exemplo, variantes “intermediárias” que exigem módulos específicos) podem ficar menos presentes ou ter lotes menores — mesmo sem uma “descontinuação” formal.
O contexto macro também reforça o risco de encarecimento do ecossistema de PCs: a IDC descreve um cenário em que a realocação estrutural de capacidade para memórias de data center (HBM e DDR5 de alta capacidade) reduz oferta para mercados tradicionais, pressionando preços e disponibilidade em 2026.
Como o consumidor pode se proteger (sem cair no pânico)
Se você está cogitando comprar uma GeForce (ou qualquer GPU) em 2026, algumas estratégias são mais racionais do que “comprar por medo”:
- Defina gatilhos de preço: decida um teto e acompanhe histórico por algumas semanas. Rumor gera pico emocional, e pico emocional vira carrinho mais caro.
- Compare custo por objetivo: se é 1080p competitivo, talvez você não precise do SKU mais disputado. Se é 4K/RT pesado, VRAM e largura de banda importam mais — e isso é justamente o que a crise pressiona.
- Considere alternativas e timing: se sua GPU atual dá conta, esperar pode ser a melhor “compra”. Se você precisa agora, avalie opções equivalentes e disponibilidade real, não só MSRP anunciado.
- Priorize vendedor confiável: em épocas de escassez, aparecem ofertas “criativas” e golpes de marketplace com mais frequência.
O que esperar do mercado de GPUs ao longo de 2026
O panorama mais provável é um 2026 com oferta oscilante e preços sensíveis a qualquer notícia sobre memória — especialmente porque a indústria está reconfigurando capacidade para atender IA. A TrendForce descreve fornecedores realocando nós avançados para server e HBM, com impacto direto na disponibilidade de DRAM “convencional”.
Ao mesmo tempo, o rumor específico de “corte de 15%–20%” deve ser tratado como ele é: um relato não confirmado que ganhou palco por bater com a sensação do consumidor no varejo. Alguns veículos o reportaram como alegação de leaker; outros destacaram a negativa/posicionamento oficial da Nvidia de que continua enviando todas as GeForce e busca maximizar disponibilidade de memória.
Tradução prática: dá para existir aperto real sem existir “corte oficial” — e, para o consumidor, o efeito pode ser quase o mesmo na prateleira. A diferença é que, se o problema é memória e não uma decisão estratégica de “parar de abastecer GeForce”, a normalização depende mais de capacidade e logística do setor de memória do que de uma canetada da Nvidia.
Fechamento
A Nvidia contestou o rumor de redução deliberada no fornecimento de GeForce e sustentou que segue enviando todos os SKUs, apesar da forte demanda e das limitações de memória.
O detalhe que muda tudo é o “apesar”. 2026 está desenhando um mercado em que memória — puxada pela corrida da IA — pode ditar o ritmo do PC gamer, do preço da GPU e até de quais modelos aparecem com mais frequência. Se tem uma lição aqui, é esta: em crise de memória, rumor vira barulho rápido… mas a cadeia de suprimentos faz barulho por muito mais tempo.
Fontes:
- Wccftech — NVIDIA Has Rumoredly Cut Down GPU Supply To AICs By 15-20%; (com update e declaração da Nvidia)
- The Verge — Asus now claims it’s not dropping the RTX 5070 Ti amid memory shortages
- Tom’s Hardware — Gamers face another crushing blow as Nvidia allegedly slashes GPU supply by 20%
- TechRadar — Rumored production cut for Nvidia GPUs e debate sobre crise de GPUs
- TrendForce — Memory Makers Prioritize Server Applications, Driving Across-the-Board Price Increases in 1Q26
- Reuters — SK Hynix speeds up new chip fab opening to meet memory demand
- IDC — Global Memory Shortage Crisis: Market Analysis and the Potential Impact on the Smartphone and PC Markets in 2026


