jQuery 4.0.0 chega no aniversário de 20 anos e encerra a era dos “navegadores jurássicos”

Quase uma década depois do último salto de versão principal, o jQuery 4.0.0 foi lançado com uma proposta bem direta: cortar legado, limpar a API e se encaixar melhor no ecossistema moderno de build — incluindo a migração do código-fonte para ES Modules.

O que mudou de verdade no jQuery 4.0.0

O headline é simples: o jQuery 4.0.0 remove suporte a navegadores muito antigos e aproveita o “número redondo” para remover APIs que já vinham depreciadas há várias versões. Na prática, isso reduz complexidade interna, diminui o tamanho do bundle e força (gentilmente) a adoção do JavaScript nativo onde ele já dá conta do recado.

Fim do suporte a navegadores antigos: quem ficou para trás

O jQuery 4.0.0 remove suporte ao Internet Explorer 10 e anteriores e também corta uma lista de plataformas envelhecidas: Edge Legacy, Android Browser, versões do iOS anteriores às três últimas, e versões do Firefox anteriores às duas últimas (com a ressalva do Firefox ESR). Se você ainda precisa atender esses ambientes, a recomendação é ficar no jQuery 3.x.

  • IE < 11: suporte removido (inclui IE10 e anteriores).
  • Edge Legacy: suporte removido.
  • Android Browser: suporte removido.
  • iOS: suporte apenas para as 3 últimas versões.
  • Firefox: suporte apenas para as 2 últimas versões (exceto ESR).

Quando você deixa de carregar workarounds de browsers antigos, você não está “quebrando a web”: está parando de carregar o passado nas costas.

Adeus APIs antigas: o jQuery quer que você use o JavaScript nativo

Uma das limpezas mais sentidas é a remoção de utilitários históricos que hoje têm equivalentes nativos amplamente suportados. Entre os removidos estão jQuery.isArray, jQuery.trim, jQuery.parseJSON (e vários outros). A troca costuma ser direta:

  • jQuery.isArray(value)Array.isArray(value)
  • jQuery.trim(str)str.trim()
  • jQuery.parseJSON(str)JSON.parse(str)
  • jQuery.now()Date.now()

Segundo o post oficial, essa combinação (remoção de APIs depreciadas + corte de código para IE antigo) também ajuda a reduzir o tamanho em mais de 3 KB (gzipped) — não é uma revolução de performance, mas é um ótimo sinal de higiene do projeto.

ES Modules no código-fonte: por que isso importa

O jQuery 4.0 migrou o código-fonte do repositório principal de AMD para ES Modules. Traduzindo: ficou muito mais natural para o jQuery conviver com pipelines modernos (bundlers, tree-shaking, builds de ESM/CommonJS) e até com o uso via <script type="module">. O projeto também cita a adoção do Rollup para empacotamento e a execução de testes específicos para ESM.

“Bibliotecas maduras sobrevivem quando conseguem evoluir sem negar o passado — mas sem viver nele.”

Como se preparar para o upgrade (sem drama)

Para a maioria dos projetos modernos, a migração é mais “limpeza” do que “cirurgia”. Um caminho prático:

  1. Rode sua suíte de testes com jQuery 4.0.0 (e revise plugins antigos que dependem de APIs removidas).
  2. Faça um grep no código por métodos depreciados (jQuery.trim, jQuery.parseJSON, etc.) e substitua pelos nativos.
  3. Revise compatibilidade: se você ainda atende IE10/Edge Legacy/Android Browser, a estratégia é manter jQuery 3.x nesses ambientes.
  4. Leia o upgrade guide oficial para mudanças menores e comportamentos específicos.

Fechamento

O jQuery 4.0.0 não está tentando “voltar a ser a única solução do front-end”. Ele está fazendo algo mais interessante: consolidar uma versão moderna, mais enxuta e mais previsível para quem ainda depende da biblioteca — seja por sistemas legados, seja por produtividade em projetos específicos. Aos 20 anos, o jQuery parece ter escolhido maturidade em vez de nostalgia. E, sinceramente, faz sentido.

Fontes:

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