Sofmap Gaming pede que clientes vendam PCs antigos no Japão: escassez de memória pressiona preços e esgota estoque usado

Uma das maiores varejistas de eletrônicos de Akihabara, em Tóquio, publicou um apelo direto para repor o que está faltando nas prateleiras: computadores. A falta de máquinas novas e usadas virou sintoma visível da crise de componentes, com a memória no centro do problema e a demanda de data centers de IA acelerando o aperto na cadeia.

O que aconteceu: um pedido incomum para “vender seu PC”

No início de janeiro de 2026, a Sofmap Gaming (ligada ao grupo Bic Camera) chamou atenção ao pedir, em sua conta oficial, que consumidores vendam seus PCs antigos para a loja. O tom foi de urgência: até modelos usados estariam em falta, e o recado foi claro de que a empresa está disposta a comprar desde desktops e notebooks gamers até computadores comuns.

O apelo viralizou por mostrar algo raro no varejo: em vez de anunciar promoções para atrair demanda, a loja tenta atrair oferta. Para quem acompanha o mercado japonês, isso também reforça um movimento visto nos últimos meses: dificuldade crescente de encontrar determinadas configurações prontas, somada à redução de opções no mercado de segunda mão.


Por que a memória virou gargalo e como a IA entra nisso

O fator mais citado para o aperto atual é a escassez de memória, que afeta tanto DRAM quanto armazenamento em diferentes níveis e, principalmente, encarece configurações modernas. Com a expansão de infraestrutura de IA, data centers aumentaram agressivamente a compra de memória, e fabricantes têm direcionado capacidade para produtos mais lucrativos usados em servidores e aceleradores, como memórias de alta largura de banda (HBM). Esse deslocamento ajuda a apertar a disponibilidade de itens que abastecem o mercado consumidor.

Relatos de mercado apontam que, desde o segundo semestre de 2025, o aumento de preços e a instabilidade de fornecimento aceleraram compras “antes que suba mais”, elevando a pressão sobre PCs pré-montados e BTO. O resultado aparece em cascata: menos máquinas novas disponíveis, preços mais altos no varejo e, quando o consumidor tenta migrar para o usado, encontra um estoque menor do que o normal.

O efeito no bolso: PCs novos mais caros e usados sumindo rápido

Quando memória e outros componentes sobem, o impacto em PCs prontos é imediato: marcas e integradores repassam custos, alteram configurações (por exemplo, diminuindo RAM de fábrica) ou seguram pedidos. A consequência é que o mercado de usados vira “válvula de escape” para quem quer gastar menos, mas ele também se esgota quando a procura dispara — o que ajuda a explicar o pedido público da Sofmap.

Para o consumidor, isso cria um dilema comum: comprar agora e pagar mais, ou esperar e correr o risco de ver novas altas, escassez prolongada ou disponibilidade irregular de certas faixas de desempenho. Mesmo quando o objetivo é apenas um PC para estudo e trabalho, a competição por memória e SSDs pode afetar a relação custo-benefício.

Se você vai vender ou comprar um PC usado, o que vale fazer agora

  • Antes de vender: faça backup, restaure o sistema e apague dados com método confiável (formatação com limpeza/zeragem, quando possível), além de remover contas e chaves de criptografia.
  • Documente o estado do equipamento: fotos nítidas, vídeo do boot e lista de peças ajudam a evitar contestação e aumentam a confiança.
  • Considere a estratégia “sem RAM/SSD”: em períodos de memória cara, vender a máquina sem certos componentes pode fazer sentido para alguns perfis, desde que o comprador entenda a proposta.
  • Ao comprar: priorize fonte, placa-mãe e histórico de manutenção; e confirme temperaturas e estabilidade (testes simples de estresse) antes de fechar negócio.

O que esperar daqui para frente

O mercado segue apontando 2026 como um ano de tensão para memória, com oferta e demanda ainda desalinhadas e efeitos práticos no varejo de PCs. O apelo da Sofmap Gaming funciona como um termômetro: quando uma grande rede pede publicamente por máquinas usadas, é sinal de que a escassez já chegou ao consumidor final. Para quem não precisa comprar com urgência, acompanhar oscilações de preço e disponibilidade nas próximas semanas pode ser a melhor forma de evitar pagar o pico.

Fontes

Share.
Leave A Reply

Exit mobile version