Dell admite que “PC com IA” não convence o consumidor: desempenho e bateria seguem mandando na escolha

A própria Dell reconheceu que a maioria das pessoas não compra um notebook por causa de recursos de inteligência artificial e, pior, muita gente ainda se sente confusa sobre o benefício real. Ao mesmo tempo, os argumentos que continuam funcionando são os mais tradicionais: mais performance e mais autonomia.

Por que a promessa dos “PCs com IA” ainda não virou desejo

Nos últimos dois anos, “IA no dispositivo” virou mantra da indústria: teclas dedicadas, selos chamativos e apresentações prometendo que o computador seria mais útil porque executa tarefas com modelos locais. Só que, do lado de quem compra, a percepção é bem menos empolgante. Segundo a Dell, a maior parte das pessoas não está escolhendo notebooks por esse motivo e ainda existe confusão sobre o que a IA faz, quando faz e por que isso importa no dia a dia.

Na prática, isso expõe um problema de comunicação: muitos recursos apresentados como “IA” parecem incrementais, escondidos em menus ou condicionados a software específico, conta Microsoft e hardware compatível. Para o consumidor comum, isso vira uma pergunta simples: “o que eu ganho de verdade?” Se a resposta não for imediata, a decisão volta para o que sempre pesou mais na compra: rapidez ao abrir apps, fluidez em multitarefas, qualidade de tela, barulho das ventoinhas e, principalmente, quanto tempo a bateria aguenta longe da tomada.


O paradoxo do Copilot+ PC: a “IA” precisa de requisitos claros, mas o público quer resultados simples

A declaração chama atenção porque a Dell é uma das grandes parceiras do ecossistema Copilot+ PC, categoria promovida pela Microsoft para PCs com capacidade de IA local. Para que as experiências “Copilot+” funcionem, a exigência central é uma NPU (unidade de processamento neural) com pelo menos 40 TOPS, além de requisitos como 16 GB de RAM e 256 GB de armazenamento. Em recursos específicos, como o Recall, a Microsoft também descreve necessidades de armazenamento livre e limites para a retenção de capturas, o que reforça que não é apenas “ter IA”, mas cumprir uma lista técnica.

O problema é que, para o consumidor, TOPS e NPU raramente são argumentos de compra por si só. Quando o benefício não aparece de forma óbvia, o termo “PC com IA” vira uma promessa abstrata. Isso fica ainda mais delicado quando recursos muito divulgados enfrentam adiamentos ou mudanças de abordagem, como ocorreu com o Recall após preocupações de segurança e privacidade repercutirem fortemente no mercado.

  • NPU e TOPS: o “motor” que permite executar tarefas de IA localmente, sem depender o tempo todo da nuvem.
  • RAM e armazenamento: influenciam diretamente a experiência real, inclusive em recursos que gravam contexto ou cacheiam dados.
  • Disponibilidade: alguns recursos variam por região, dispositivo e atualização do sistema.

O que realmente move a compra: desempenho e bateria

Quando a Dell diz que performance e autonomia são os grandes atrativos, ela está descrevendo uma métrica fácil de entender. Se o mesmo notebook “com IA” entrega mais horas de uso e roda tarefas com mais folga, é isso que o comprador percebe primeiro. Por isso, muitos dos avanços atribuídos aos “AI PCs” acabam sendo valorizados por motivos tradicionais: plataformas mais eficientes, melhor gerenciamento térmico e otimizações de arquitetura que reduzem consumo.

Como isso aparece na prática

  1. Mais tempo longe da tomada: navegação, videoconferências e streaming durando mais horas sem ansiedade.
  2. Responsividade: abrir dezenas de abas, alternar entre apps e manter tudo fluido.
  3. Menos calor e ruído: ganhos de eficiência que deixam o uso mais confortável.
  4. Melhor custo-benefício percebido: “vale o preço” porque melhora o que você usa todo dia.

O que isso sinaliza para a Dell e o mercado em 2026

O recado também se conecta ao momento do setor: a Dell anunciou na CES 2026 a retomada da marca XPS como linha premium e falou em reorganizar seu portfólio para simplificar categorias, ao mesmo tempo em que lida com um mercado de PCs mais competitivo. Em paralelo, novos modelos e gerações de processadores tentam equilibrar dois discursos: “pronto para IA” e “melhor computador, ponto”.

Na prática, a indústria pode estar entrando numa fase mais madura: em vez de vender “IA” como motivo principal, a tendência é tratá-la como parte do pacote, enquanto o marketing volta a destacar ganhos concretos que o consumidor entende de imediato. Se os recursos de IA forem realmente úteis, eles se tornam um bônus; se não forem, o notebook ainda precisa ser excelente como notebook.

Como escolher um notebook hoje, sem cair no hype

Se você está pesquisando um novo PC, vale usar uma checklist que privilegia o que muda sua rotina. A “IA” pode entrar como critério secundário, especialmente se você já sabe que vai usar recursos específicos compatíveis com o seu fluxo.

  • Bateria e eficiência: procure testes independentes e compare cenários reais (web, vídeo, chamadas).
  • Processador e resfriamento: desempenho sustentado importa mais do que pico de benchmark.
  • Memória e SSD: 16 GB virou o “mínimo confortável” para longevidade; SSD rápido muda tudo.
  • Tela, teclado e peso: fatores que definem conforto diário, especialmente em trabalho e estudo.
  • NPU/recursos Copilot+: só priorize se você realmente pretende usar as funções que dependem disso.

Quando a tecnologia vira detalhe, ela finalmente ganha

A fala da Dell é um banho de realidade: o público não quer um “notebook com IA”, quer um notebook melhor. Se a IA ajudar a entregar mais autonomia, menos travamentos e recursos úteis sem complicação, ótimo. Mas, até que isso fique claro para a maioria, desempenho e bateria continuarão sendo os argumentos que vendem — e a IA, no máximo, o tempero do prato principal.

Fontes

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